quarta-feira, 13 de maio de 2015

Infinitos tons...

Quando eu era bem pequena, meu pai contou-me a seguinte história:

"Havia um casal que morava no interior e, com muito esforço, enviou o único filho para estudar na capital. Certo dia, os pais receberam uma carta do rapaz com os dizeres

                    'Preciso de mais dinheiro. O que estão mandando é pouco'.
 
O pai, com semblante raivoso, leu aquelas palavras e, imediatamente, disse à esposa que não enviaria mais dinheiro, pois o filho havia sido muito grosseiro.

A mulher, por sua vez, pegou a carta e começou a ler em voz alta.

                   'Preciso de mais dinheiro. O que estão mandando é pouco.'.

Leu exatamente as mesmas palavras; porém, com uma entonação diferente (lembro como se fosse hoje a interpretação do meu pai para a voz do pai e da mãe para a mesma frase...). Explicou ao marido que aquelas palavras poderiam ter saído apressadas porque o filho escreveu correndo entre uma aula e outra ou, ainda, no escuro, por falta de energia à noite no alojamento.

O pai, convencido da dificuldade financeira pela qual o filho poderia estava passando, decidiu, juntamente com a esposa, que enviaria mais um pouco de dinheiro a partir daquele mês”.

Foi assim que cresci: achando que o tom com o qual a gente fala com as pessoas faz uma diferença imensa...
E se a gente tem a possibilidade de dizer uma mesma palavra de várias maneiras, por que mesmo, em regra, escolhe a que mais fere?