sexta-feira, 30 de maio de 2014

Dois em um...

Um alimenta-me o espírito, o outro a fantasia;
Um protege-me das chagas, o outro da desilusão.

Um é sinal do sagrado, o outro da alegria;
Um é por devoção, o outro pela imaginação.

Um é clarão da noite, o outro brilho para o dia;
Um pede oração, o outro contemplação;

Um nutre-me de fé, o outro de amor...

Um ajuda-me a levantar, o outro a não desistir;
Um impulsiona-me a vida, o outro os sonhos a perseguir...



... e ambos reconstroem-me.

terça-feira, 27 de maio de 2014

O banquinho...

  “Sixto Martinez fez o serviço militar num quartel de Sevilha. No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia porque se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita porque sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito. E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E, depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias, que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca” – Eduardo Galeano. (Citação retirada de uma petição do Defensor Público Federal Caio Paiva.)

  E nossos comportamentos? São conscientes ou, tão somente, frutos de uma repetição sem fundamento algum? 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

#MariaCarolina...

 “- Maria Carolina, quer ir ali com a titia?” - A pergunta é formulada de maneira objetiva e em tom ameno.
A resposta é sempre afirmativa, mesmo sem ela fazer a menor ideia de para onde está concordando em ir. E essa confiança depositada em mim traz, para além do aumento da responsabilidade, uma alegria desmedida...
Às vezes, trata-se de programa cansativo até para um adulto (cartórios, órgãos públicos, bancos etc.); e, mesmo tendo a opção de ficar em casa brincando, assistindo a seus programas favoritos ou, apenas, descansado do cotidiano cansativo de uma criança que estuda em período integral, ela responde “quero, tia Alice”, com um sorriso que vai de ponta a ponta...
E lá vamos nós, apreciando o prazer da companhia... Conversamos, rimos, cantamos, jogamos “adedonha”. Em uma das nossas últimas conversas antes de eu retornar a João Pessoa depois do “Dia das Mães”, falamos sobre o significado e a utilização da “hashtag” nas redes sociais. E aqueles olhinhos chega brilhavam prestando atenção...
É... para as pessoas que costumam me perguntar como conseguimos manter tanta proximidade mesmo distantes fisicamente boa parte do tempo, a resposta é bem simples: nossa cumplicidade é de almas...
A “hashtag” de hoje é pra você, amor da titia!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Resiliência...

Sim, aquela mesma estudada na Física...
Quando se trata de relacionamentos, que capacidade temos de voltar ao estado normal ao sofrermos alguma tensão?
Brigou com os pais? Quanto tempo até voltar a interagir nos assuntos da família?
Foi indelicado com um amigo? Quão grande é a demora até o abraço de desculpas e a piada sem graça?
Errou com o amor? Que prazo é necessário até que voltem a acreditar no projeto de vida sonhado a dois?
Nosso elástico rompe-se com facilidade, sem dar chance ao recomeço? Demora até voltar às suas características iniciais?
Eis a importância da resiliência...