sábado, 12 de abril de 2014

Verdades (?) ...


Qual a parcela de responsabilidade que nos cabe quando alguém a quem queremos bem nos falta com a verdade?
Quando sabemos que algo foi mentido (ou omitido), os primeiros sentimentos que se destacam em nós são a raiva e a tristeza. “Por que não me falou a verdade?” é, insistentemente, pronunciado, na tentativa de fazer o outro crer que, caso a verdade tivesse sido revelada, haveria empatia no entendimento da questão.
Pode ser por covardia ou, até mesmo, insegurança; mas, creio eu que, muitas vezes, o não falar a verdade (em quaisquer das esferas em que se desenvolvem os relacionamentos mais afetuosos - filhos/pais, irmãos, amigos e enamorados), pode estar relacionado à pressão a que submetemos as pessoas de quem gostamos de seguirem um determinado padrão de regramentos.
Criamos nossas crianças para tirarem somente nota dez nas provas, a ponto de elas precisarem esconder o boletim quando recebem um oito. E assim, a todo momento, fixamos expectativas quanto ao agir do outro, olvidando-nos de que, não raras vezes, ele não suportará a pressão de vir a nos desapontar, optando pela via menos difícil do mentir (ou omitir).
E então, qual a parcela de responsabilidade que nos cabe quando alguém a quem queremos bem nos falta com a verdade?