terça-feira, 4 de novembro de 2014

O fórceps e o amor de filha...

Quando chegou a hora de vir ao mundo, eu não quis. Agarrei-me com todas as forças às "paredes" que tanto me protegiam, resistindo tudo o que consegui para não me tirarem do aconchego de teu ventre. E foi ele, o fórceps, que me venceu.

A verdade é que, mesmo antes de nascer, eu já sabia o significado da palavra Amor, e isso sempre fez toda a diferença em minha vida, mamãe...

Neste dia tão especial, rogo a Deus para que Ele a abençoe com muita Saúde, Paz e Felicidade! Que a mãezinha do Céu continue intercendo pela senhora, cubrindo-a com seu manto protetor!

Como eu sempre digo, se Deus me concedesse apenas um desejo para a vida eterna, eu pediria para continuar sendo sua filha...

Feliz Aniversário, mamãe!

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Fé que transcende...


Sou Católica Apostólica Romana. Fui batizada, fiz Primeira Eucaristia, Crisma e participei de grupo de jovens durante toda a minha adolescência. Posso afirmar que a Igreja foi uma aliada dos meus pais e professores em minha formação humanística e que, nessa caminhada, conheci seres humanos verdadeiramente comprometidos com a proclamação do amor de Deus.
Hoje, um pouco mais crescida, devo confessar que minha presença física na Igreja não tem sido tão efetiva, quase resumindo-se à missa dos domingos. Não deixei de acreditar em Deus, não parei de crer na intercessão da mãezinha do céu, e minha Fé, esta continua sendo meu alicerce; mas, não são raras as vezes em que me pego refletindo sobre o papel atual das instituições religiosas.  
No mundo de hoje, tão focado nas aparências, parece que há uma necessidade forçada de se mostrar santo ao mundo, muitas vezes, utilizando-se do arcabouço institucional das Igrejas. A questão é que, nem sempre, as práticas de vida acompanham o que é proclamado por palavras. Pelo contrário, em nome da religião, tem-se feito muitas cisões e praticado toda sorte de discriminação...
Um dos meus melhores amigos é a pessoa de coração mais sublime que eu conheço, alguém que pratica o bem com uma naturalidade incrível... E, se me perguntassem qual foi a última vez que ele foi à Igreja, eu responderia que há mais de dez anos.
Independentemente da existência ou não de um vínculo com uma instituição religiosa, acredito que, em todos nós, reside o santo e o pecador: acertamos e erramos, construímos e desconstruímos, e necessitamos de receber perdão na mesma proporção em que o precisamos oferecer.
Não tenho por objetivo fazer apologia contra Igrejas (por isso mesmo, iniciei o texto destacando a sua importância em minha vida); porém, se, na nossa Igreja diária, não efetivamos a suposta crença que proclamamos ter, penso que não faz muito sentido...


domingo, 7 de setembro de 2014

Alice's...

Quis Deus que no 7 de Setembro nascessem duas tias Alice's...
Uma é minha madrinha de Crisma. É a fortaleza em forma de pessoa. Mesmo com tantas adversidades, sempre encontra um motivo para fazer os outros sorrirem...
A outra é a "minha tia", como carinhosamente chamo-a. Na verdade, é uma segunda mãe. Não há um só episódio da minha história, desde a mais tenra idade até os dias de hoje, em que sua presença não tenha sido fundamental. Era ela que me ajudava nas lições da escola, que tirava minhas dúvidas das aulas da Catequese e que me levava a tiracolo nas viagens de Carnaval. Muitas vezes, quando, tarde da noite, eu voltava da faculdade, lá estava ela na parada do ônibus esperando-me para a gente ir jantar na feirinha da praça...
Minha tia confia mais na minha opinião que na dos especialistas políticos e financeiros, acredita mais em mim que nos grandes doutores da lei e defende-me antes mesmo de saber se eu tenho ou não razão. Sim, ela tem o poder de me fazer sentir a pessoa mais importante do mundo... Há dias em que me telefona e diz "só liguei para ouvir sua voz, Mariazinha". Aí, abençoa-me e a semana segue mais feliz...
O que eu desejo às tias Alice's é que Deus as cubra de Saúde e Paz e que a mãezinha do Céu interceda sempre pelas senhoras ao Pai...
Minha gratidão por tudo o que representam para mim! É uma honra e alegria tê-las em minha vida, amadas Alice's...



segunda-feira, 9 de junho de 2014

Minha Pequena Grande...


Eu lembro você sem forças para segurar a mamadeira...

Recordo-me, também, das perninhas pequenas cambaleando para dar os passos iniciais...

Como olvidar a pronúncia das primitivas sílabas...

E a cada dia, você descobre uma nova maneira de driblar este velho coração...


sexta-feira, 30 de maio de 2014

Dois em um...

Um alimenta-me o espírito, o outro a fantasia;
Um protege-me das chagas, o outro da desilusão.

Um é sinal do sagrado, o outro da alegria;
Um é por devoção, o outro pela imaginação.

Um é clarão da noite, o outro brilho para o dia;
Um pede oração, o outro contemplação;

Um nutre-me de fé, o outro de amor...

Um ajuda-me a levantar, o outro a não desistir;
Um impulsiona-me a vida, o outro os sonhos a perseguir...



... e ambos reconstroem-me.

terça-feira, 27 de maio de 2014

O banquinho...

  “Sixto Martinez fez o serviço militar num quartel de Sevilha. No meio do pátio desse quartel havia um banquinho. Junto ao banquinho, um soldado montava guarda. Ninguém sabia porque se montava guarda para o banquinho. A guarda era feita porque sim, noite e dia, todas as noites, todos os dias, e de geração em geração os oficiais transmitiam a ordem e os soldados obedeciam. Ninguém nunca questionou, ninguém nunca perguntou. Assim era feito, e sempre tinha sido feito. E assim continuou sendo feito até que alguém, não sei qual general ou coronel, quis conhecer a ordem original. Foi preciso revirar os arquivos a fundo. E, depois de muito cavoucar, soube-se. Fazia trinta e um anos, dois meses e quatro dias, que um oficial tinha mandado montar guarda junto ao banquinho, que fora recém-pintado, para que ninguém sentasse na tinta fresca” – Eduardo Galeano. (Citação retirada de uma petição do Defensor Público Federal Caio Paiva.)

  E nossos comportamentos? São conscientes ou, tão somente, frutos de uma repetição sem fundamento algum? 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

#MariaCarolina...

 “- Maria Carolina, quer ir ali com a titia?” - A pergunta é formulada de maneira objetiva e em tom ameno.
A resposta é sempre afirmativa, mesmo sem ela fazer a menor ideia de para onde está concordando em ir. E essa confiança depositada em mim traz, para além do aumento da responsabilidade, uma alegria desmedida...
Às vezes, trata-se de programa cansativo até para um adulto (cartórios, órgãos públicos, bancos etc.); e, mesmo tendo a opção de ficar em casa brincando, assistindo a seus programas favoritos ou, apenas, descansado do cotidiano cansativo de uma criança que estuda em período integral, ela responde “quero, tia Alice”, com um sorriso que vai de ponta a ponta...
E lá vamos nós, apreciando o prazer da companhia... Conversamos, rimos, cantamos, jogamos “adedonha”. Em uma das nossas últimas conversas antes de eu retornar a João Pessoa depois do “Dia das Mães”, falamos sobre o significado e a utilização da “hashtag” nas redes sociais. E aqueles olhinhos chega brilhavam prestando atenção...
É... para as pessoas que costumam me perguntar como conseguimos manter tanta proximidade mesmo distantes fisicamente boa parte do tempo, a resposta é bem simples: nossa cumplicidade é de almas...
A “hashtag” de hoje é pra você, amor da titia!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Resiliência...

Sim, aquela mesma estudada na Física...
Quando se trata de relacionamentos, que capacidade temos de voltar ao estado normal ao sofrermos alguma tensão?
Brigou com os pais? Quanto tempo até voltar a interagir nos assuntos da família?
Foi indelicado com um amigo? Quão grande é a demora até o abraço de desculpas e a piada sem graça?
Errou com o amor? Que prazo é necessário até que voltem a acreditar no projeto de vida sonhado a dois?
Nosso elástico rompe-se com facilidade, sem dar chance ao recomeço? Demora até voltar às suas características iniciais?
Eis a importância da resiliência... 

sábado, 12 de abril de 2014

Verdades (?) ...


Qual a parcela de responsabilidade que nos cabe quando alguém a quem queremos bem nos falta com a verdade?
Quando sabemos que algo foi mentido (ou omitido), os primeiros sentimentos que se destacam em nós são a raiva e a tristeza. “Por que não me falou a verdade?” é, insistentemente, pronunciado, na tentativa de fazer o outro crer que, caso a verdade tivesse sido revelada, haveria empatia no entendimento da questão.
Pode ser por covardia ou, até mesmo, insegurança; mas, creio eu que, muitas vezes, o não falar a verdade (em quaisquer das esferas em que se desenvolvem os relacionamentos mais afetuosos - filhos/pais, irmãos, amigos e enamorados), pode estar relacionado à pressão a que submetemos as pessoas de quem gostamos de seguirem um determinado padrão de regramentos.
Criamos nossas crianças para tirarem somente nota dez nas provas, a ponto de elas precisarem esconder o boletim quando recebem um oito. E assim, a todo momento, fixamos expectativas quanto ao agir do outro, olvidando-nos de que, não raras vezes, ele não suportará a pressão de vir a nos desapontar, optando pela via menos difícil do mentir (ou omitir).
E então, qual a parcela de responsabilidade que nos cabe quando alguém a quem queremos bem nos falta com a verdade?

segunda-feira, 31 de março de 2014

Renascimentos...


Creio que todos nós temos, no mínimo, duas ou três datas em que poderíamos comemorar uma espécie de aniversário fora do dia de nascimento; aquele dia quase sagrado em que a vida se apresentou tão miraculosa...
Há os que escapam ilesos de graves acidentes de carro; outros são resgatados com vida de sequestros duradouros; existem, ainda, os que são curados de graves doenças. São inúmeros os exemplos de renascimentos que ainda em vida podemos experimentar.
Desde 2010, o dia de hoje transformou-se na segunda data de aniversário de minha mãe, mulher de extrema coragem e de bondoso coração, pessoa que tão bravamente lutou contra, talvez, a mais avassaladora das doenças.
E é essa tamanha vontade de viver que me inspira, todos os dias, a querer o melhor da vida...
Feliz Aniversário, minha mãe!

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Tia Tonha...

Costumamos procurar heróis nos mais diversos setores da vida: na História (de preferência em algum campo de batalha), nas Artes, no Esporte, na Política, na Religião, na Economia etc. Eu, porém, digo-vos: há uma heroína bem juntinho a mim.
Ao lado do inefável amor que sinto por minha mãe, orgulho-me muito das tias que Deus me deu, todas com lugar cativo em meu coração! Mas, especialmente hoje, rendo minhas homenagens à mulher mais guerreira que conheço: Tia Tonha.
É ela quem me dá o “Deus te abençoe” mais pausado e intenso, talvez sem perceber como fecho fortemente os olhos agradecendo a oração daquele momento. E, do alto de seus mais de 80 anos, quase todos dedicados com exclusividade à família, encontra vigor diário para enfrentar o doloroso processo de hemodiálise.
É a mãe, a vó, a bisa, a tia. Sabe, como ninguém, amar e congregar os seus...
Dia desses, disse-me: “Lilice, às vezes eu paro e vejo você na minha frente, com seus dentinhos pequenininhos, dizendo 'mas, tia'...”. É que estamos separadas pela geografia, que ainda não foi capaz de unir, em um mesmo espaço físico, Ceará – Rio Grande do Norte – Paraíba.
Dos meus contínuos motivos de agradecimento a Deus, está a vida e a saúde da senhora, Tia Tonha. 
Sua benção, minha heroína...


quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Amor Maior...

O pai estava angustiado. E minha hora e meia de doação de aféreses (plaquetas) foi tomada pelo mesmo sentimento...
O filho iria ser transplantado, mas o número de plaquetas estava baixo demais. Necessitava, com urgência, de doação. Ao passar pela triagem do Hemocentro, o pai descobriu que não poderia ser o doador que o filho precisava, por estar fazendo uso de antibióticos. E o desespero daquele pai só aumentava...
Na tentativa de localizar um possível doador, assistentes sociais e enfermeiras fizeram várias chamadas telefônicas. Contudo, dada a raridade do grupo sanguíneo exigido (“B”), não conseguiram. Foi quando uma das enfermeiras olhou fixamente os olhos do pai e disse: "Deus não irá desampará-lo".
Passados alguns minutos, alguém bate à porta da sala em que estávamos todos, e um homem de meia idade e semblante brando entra.
-“Com licença”, disse o rapaz. “Vim fazer doação de aféreses”.
-“A doação será em nome de quem?”, perguntou a enfermeira.
-“É uma doação voluntária”, respondeu.
-“Qual seu grupo sanguíneo?”, continuou questionando a profissional.
E o silêncio foi geral...


Respeito opiniões em sentido contrário; mas, sinceramente, eu não saberia viver sem acreditar no infinito Amor de Deus.