segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Contradição...


Será mesmo que “não existe o amor, apenas provas de amor”?
Dias desses, ao ouvir a música dos Titãs, fiquei um bom tempo a refletir sobre o que, de fato, há. Muito espontaneamente, minha predileção veio à tona...
Quando se ama, demonstrar o que se sente é das tarefas mais simples possíveis. Pode ser desde levar um copo com água até o quarto em que o amor está estudando até percorrer 700 quilômetros no “vai em um dia e volta no outro” só pra ver, à sua frente, aquele sorriso que te faz palpitar o coração. Mas, isso é tão natural que não traz consigo o peso intrínseco à palavra “prova”.
Por outro lado, quando não se ama de verdade, parece que a principal preocupação é encontrar algum modo (público, de preferência) de fazer com que se acredite que a “prova de amor” se sobrepõe ao sentimento. Algo como um “olha só como eu te amo: fiz isso por você”. 
Típica insegurança? Acerto de contas? Cobrança implícita? Não sei... Mas, se o ser amado precisa de prova (s) para acreditar que o é, creio que a resposta já está dada.
Apesar de a transitividade do verbo amar exigir um complemento, na vida real, a regra da gramática não faz lei. Ama-se. E basta. 
Proponho, pois, a inversão da ordem na canção. Afinal, não existe prova de amor; existe o amor.

domingo, 15 de dezembro de 2013

Benevolente...

 3 segundos. 2 e meio, talvez. Esse é o tempo que transcorre entre o recebimento do resultado de uma biópsia e a leitura da conclusão de seu laudo.
 As mãos trêmulas tomam, em um solavanco, aquele papel, guardado em um envelope, embrulhado em um plástico, lacrado por um adesivo...
 Os olhos apressados não leem quais técnicas e procedimentos foram empregados, ou quais reagentes utilizados, ou quantas lâminas analisadas; o que, de fato, interessa, é saber se a palavrinha começa com "m" ou "b". 
 E quando se consegue enxergar, bem no finalzinho, aquele "benigno", não há agradecimento que baste.
 São os 3 ou 2 e meio segundos mais longos que eu conheço...