sábado, 31 de agosto de 2013

Fim...


Há gosto pelo doer
Há gosto por passar

Há gosto pelo não ser
Há gosto por desbotar

Há gosto por fenecer
Há gosto pelo murchar

Há gosto por perecer
Há gosto pelo ceifar

Há gosto...
Agosto.
                       (minha autoria)

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Carta aos Céus...


     Pai,

     Passei o dia fingindo que esquecia... Mas, não deu mais.

    Hoje faz quinze anos que o Sr. mudou de morada. Não sei materializar em palavras como foram esses cinco mil quatrocentos e setenta e nove dias sem sua presença em meu existir...

    Às vezes, penso que chegarei em casa e encontrarei o Sr. sentado no sofá. Aí, assistimos a uma partida de vôlei (de preferência, uma com “tie break”, né?) e, depois, o Sr. me ajuda com os processos mais complicados...

     Fecho os olhos e imagino aquela gargalhada gostosa do Senhor... Abro-os e sou capaz de ver, bem na minha frente, aquele olhar digno, próprio de um homem de ímpar retidão de caráter...

     Certamente, no Céu o Sr. deve ter um “emprego” de Conciliador-geral (não conheço outro ser humano mais agregador). Se bem o conheço, estudou e trabalhou bastante para galgar tal posição, passando, de cabeça erguida, por todos os obstáculos da caminhada...

       Pai, não há um só dia em que nós - mamãe, Paulo e eu - esqueçamo-nos do Senhor. E a dor é tanta que, às vezes, parece que não vamos suportar. Somente o amor e a misericórdia de  Deus são capazes de nos fazer ainda ver felicidade na vida...
       
      São quinze anos...

  


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Iguais...

     
     
        Sempre que vejo algum líder religioso separando, em discursos inflamados, os "salvos" dos "condenados" - o que tem estado muito em evidência na Câmara dos Deputados (contrassenso número 1) - penso como pode qualquer ser humano, seja ele quem for, sentir-se superior a quem quer que seja (contrassenso número 2). 
A discussão, o debate de opiniões, tudo isso é salutar à sedimentação dos nossos conhecimentos e, em última análise, à prática efetiva da democracia. Mas, daí a usar influência religiosa/político partidária para disseminar o ódio e pregar o desrespeito... Bem, esse não é o Cristianismo que meus pais me ensinaram... 
          E se todos os líderes religiosos concentrassem suas forças em prol de uma única finalidade, a pregação do amor ao próximo? E se todos nós, seres "humanos", entendêssemos que respeitar o próximo não significa pensar e agir como ele, mas apenas RESPEITAR? 
É tão difícil assim entender, por exemplo, que índios e africanos, por influência histórico-cultural, cultuam deuseS diferentes do Deus Trino (em que eu acredito, adianto) e defender que eles têm o direito de assim o fazer? 
Santificar o nome de Deus com palavras sem que estas estejam acompanhadas de ações que busquem defender o bem e a dignidade das pessoas não me parece coerente... 
Precisamos, urgentemente, aprender a ser mais tolerantes uns com os outros. Se cada um de nós construir um "Deus" para defender suas convicções, o mundo será um império do deus Caos. 
Quando a religião, ao invés de religar o homem à divindade, arma-nos para destruirmos uns aos outros, algo está muito fora de ordem...

terça-feira, 27 de agosto de 2013

"Ala Direita"...


   Ao adentrarmos no recinto de aula da centenária Salamanca, uma força inexplicavelmente interessante impelia-nos a tomar assento no lado destro daquele sítio. E foi assim, tomando posse daquele território específico da sala de aula, que nasceu a “Ala Direita” da Faculdade de Direito da UFC.

     Com o passar dos anos, a "Ala Direita" foi crescendo... Passamos a admitir "agregados" (namorados/noivos/esposos de membros naturais. Rsrs...). Depois, chegaram os "mascotes", filhinhos dos alenses... A família só cresce!




      Nossas histórias, certamente, dariam um livro! Estudos; trabalhos em grupo; viagens (de férias, Carnavais - melhor dizendo, fuga dos Carnavais. Rsrs... Congressos - Salvador e suas histórias inesquecíveis! Rsrsrs...); confraternizações (motivos: de Copa do Mundo a "Não aguento mais essa aula. Vamos lanchar?" - passado em papelzinho de mão em mão. E lá íamos nós, de dez a doze pessoas amontoadas em um só carro. Rsrs...); viradas de noite regadas a filmes, jogos de tabuleiro, pizzas e esfirras (Dona Fátima, mãe da Gabs, tinha uma santa paciência em aguentar-nos); festas; casamentos... são tantas memórias incríveis...

     E o mais bacana é saber que os laços de amizade que envolvem os membros dessa "comunidade" são tão fortes que nem mesmo a distância física (hoje, quase todos moram em estados diferentes da Federação) torna-nos distantes da vida uns dos outros (o que em muito foi ajudado pela era digital). 

     Nesse mês de agosto, comemoramos 10 anos de formados. E esse registro é só para materializar o amor e o orgulho que sinto por todos esses meus amigos da "Ala Direita".  

     Aline, Ana Paula, Benício, Célia, Cosma, Dani Félix, Dani Mendes, Gabriella, Giselle, Ieda, Leila, Mateus, Nilson (vulgo Mariano Maria. Rsrs...), Pedro Eça, Rondinelli, Rubens e Sabrina... Vocês têm um cantinho especial no meu coração.

     Que nossa fraterna amizade perdure por muitos e muitos anos...
    

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A dor intangível...


     Sempre que sonho com meu Pai, o dia amanhece pesado... É tão maravilhoso passar mais alguns instantes com ele que acordo implorando para que tenha sido verdade, naquele exercício dolorido de "tentando, vivendo e pedindo com loucura pra você renascer...". 
  
     Quando, por fim, convenço-me de que foi apenas um sonho, aquela saudade abissal volta com mais força ainda... 

     Na busca de alento para o coração, refugiei-me na música. E para você, meu Pai, pessoa que acreditava em mim mais que eu própria, dedico-lhe essa canção:


      Sei de pouca coisa nessa vida, mas de uma tenho certeza: pai e mãe deveriam ser eternos...

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O que se leva da vida...


O sono da última noite foi bem desconfortável. Aflita para resolver uma complicada situação, as dores oscilaram entre a cabeça e o estômago. Sonhos, pesadelos, angústias, tudo fez parte daquelas horas. Mas, após resolver a situação, pensei em escrever aqui algumas palavrinhas...

Quem me conhece sabe quão desapegada eu sou em relação ao dinheiro. Já bem antes do marketing lançado pelo HSBC sobre o valor do dinheiro, ele pra mim sempre foi um meio, jamais um fim, para a persecução dos meus objetivos.

Não serei demagoga a ponto de dizer que se pode, tranquilamente, viver sem dinheiro. Não é isso. É que, pra mim, ele não traz mesmo a Felicidade; apenas torna, materialmente falando, o caminho menos difícil. A questão é que o caminho para a Felicidade não se inicia pela matéria. Sendo assim, o berço dos sonhos não é o dinheiro...

(Bem, antes de o texto se tornar um “Raciocínio Silogístico Aristotélico” (risos...), deixa eu voltar ao assunto principal...)

Ao acordar, uma luz me veio à mente; e, na tentativa de encontrar uma solução para o problema acima referido, liguei para a mãe de uma amiga de infância. Ao perguntar se ela poderia apoiar o Projeto, ouvi, do outro lado da linha, a fala incisiva: “Pra você? Pra você? Pra você eu faria até o impossível”. Nessa hora, meus olhos encheram-se de lágrimas...
                                                          
Não foi só pela certeza de que meus planos dariam certo que fiquei emocionada; mas (e principalmente), por sentir a confiança daquela voz em mim. No mundo de hoje, em que o valor da matéria sobrepuja o do indivíduo, aquela demonstração me reanimou de Esperança... 

E é isso que eu penso que a gente leva da vida... “Ter” é bom, é confortável; mas, “ser” é fundamental, e “sentir” é vital.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Sobre o tempo...

     
     Cá estava eu refletindo sobre o tempo... Pensando na hora certa de fazer escolhas e tomar decisões, exercitando a "futurologia", matutando sobre as angústias do tempo desconhecido. Foi quando me lembrei dessa passagem bíblica... 

     "Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer; tempo para plantar, e tempo para arrancar o que foi plantado; tempo para matar, e tempo para sarar; tempo para demolir, e tempo para destruir; tempo para chorar, e tempo para rir; tempo para gemer, e tempo para dançar; tempo para atirar pedras, e tempo para juntá-las; tempo para dar abraços, e tempo para apartar-se; tempo para procurar, e tempo para perder; tempo para guardar, e tempo para jogar fora; tempo para rasgar, e tempo para costurar; tempo para calar, e tempo para falar; tempo para amar, e tempo para odiar; tempo para a guerra, e tempo para a paz." (Eclesiastes 3, 1-8)

     Sobre o tempo, trago também comigo uma citação do mestre Genuíno Sales, ser humano pelo qual nutro um imensurável respeito e admiração! Ao entrar em sala para ensinar Gramática e Redação na minha turma do Pré-vestibular, a sua saudação inicial era: "O tempo não perdoa o que se faz sem ele". É bem verdade, meu professor...

     O tempo, com a mesma intensidade que nos faz livre para a tomada de caminhos, é um diligente juiz na hora do "acerto de contas"... E saber reconhecer o "momento do tempo" talvez seja o maior dos nossos desafios.

     


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

"Você foi marcada em uma foto...".


Foi essa a descrição que me chegou por e-mail em uma tarde das minhas férias, aguçando a curiosidade para saber de que imagem se trataria...
E qual não foi minha surpresa ao ver a foto que tinha acabado de ser postada na rede social:



Eu poderia passar horas e horas descrevendo a felicidade que sinto por ter sido aluna do Colégio Militar de Fortaleza... Ainda assim, não seriam suficientes para externar todo o amor e orgulho que tenho por essa instituição.
Excelente corpo docente e de monitores (Sargento Valdízio, obrigada por tudo!), esporte desenvolvido de forma competente e profissional (saudade do Couto, meu sempre técnico!), sedimentação do caráter dos estudantes, trabalhando o respeito, a disciplina, a hierarquia; enfim, a educação do aluno tratada de forma integral.
Quase em todos os dias da semana, eu ficava no CMF desde o turno da manhã até a noite, para que fosse possível conciliar as aulas, horários de estudo e treinos esportivos. Era, de fato, meu segundo lar...
Foi lá a primeira vez que a menina Alice ouviu a expressão “bem comum” e que busquei colocá-la em prática em todos os dias que me seguiriam... Foi lá que aprendi a amar e respeitar minha Pátria (e até a ter raiva da falta de zelo de muitos para com ela)... Foi lá que me encantei absolutamente pelo mundo dos esportes... Lá criei laços de amizades incríveis, que permanecem firmes há mais de vinte anos...
Vivi tantos momentos lindos naquela Casa... “Emoções”, do Roberto, bem os descreveriam: Detalhes de uma vida, são momentos que eu não esqueci...”.
Meu agradecimento eterno a todos os que fizeram parte da minha história de vida no Colégio Militar de Fortaleza...



Em tempo: da esquerda para a direita, sou a 7ª sentada. Risos...